E hoje sonhei que explicava para uma sala o que entendo ser "ciclo narrativo".
Sâo conselhos pertinentes. Eu estou procrastiando até a hora da aula de espanhol, mas sem me sentir na minha melhor forma e isso me causa um sono terrível. Mas sim, a escrita: o
Portal Literal, cujo nome não me deixa mais espaço para explicações, recebe contos de qualquer pessoa todo mês, no chamado Exercícios Urbanos. Fora a delícia do destaque na página principal, o contista vencedor do mês ganha R$300,00 em livros na Livraria Cultura. Um
conto meu está lá, pelo mês de janeiro. Estou esperando só o pessoal da Cultura me enviar o bônus. Sabe, tô precisando.
O turbilhão que me meti graças ao conto é assunto pra seqüência. Essa indisposição acaba comigo. Não imagino que bem uma aula de espanhol possa fazer, assim, efetivamente, mas nessa altura da vida - e do fundinho do poço - não tenho as maiores escolhas.
Hoje chove em Fortaleza e, por falta de costume, hábitos são mudados: acabou de chegar notíca que a
Defensoria Pública do Estado do Ceará não abriu para o expediente da tarde.
Por conta da chuva.
Cada dia de nublação e chuva, por mais que incomode a falta de luz, é aproveitado com mais caminhadas numas ruas que fazem páreo com lagoas - meu tênis encharcado como primeira imagem do dia. É uma pena das maiores que tenho permissão de me desligar dessa sala apenas meia hora antes da noite, que mantêma aparência.
Hoje o dia é uma série de músicas da Cat Power (mesmo que seja um cover do Velvet):
Oh I do believe
In all the things you say
What comes is better than what came before
And you'd better come come, come come to me
Better come come, come come to me
Better run, run run, run run to me
Better come
Oh I do believe
In all the things you say
What comes is better than what came before
And you'd better run run, run run to me
Better run, run run, run run to me
Better come, come come, come come to me
You'd better run
Hubert, uma alma viva na minha capela, saiu da França com temperatura abaixo de zero para essa cidade onde, até ontem, o calor não sumia com qualquer banho frio. Falou duas vezes na primavera, que vai ser a estação vigente quando voltar. "É bom ter estações". Imagino. Nunca me caiu um floco de neve nas mãos, redondo e feito espuma. Floquinho de neve era como o Piort chamava a Illyana e sempre achei bonito, como as torres da Rússia.
Impressão de ter estragado feio vários orgãos internos.
O meu fetiche por estantes de livros continua crescendo. É uma pena o espaço físico não acompanhar. Nem comportar.
Livre associação: fetiche + estantes de livros =
Babes with books.
Uma referência de inestimável importância - e falo sério - para quem gasta sua vista na tipografia, reta e durona.
Últimas palavras de Kafka ao seu médico: Se você me curar desta vez, você é um homicida.
Vou encomendar o
WAR In Rio.

Se o nosso costume era jogar
War Império Romano aos domingos, melhor mesmo vai ser dar um tom de
BRASIL URGENTE à coisa toda.
Ontem eu sonhei com o Frank Zappa.
Realiza.
O cara estava na maior forma do bigodão. Mas, pra não perder a graça da coisa, era um assassino, bem na minha frente. Pra ficar mutcholoco, última coisa que lembro é de ter que responder umas perguntas assim VIAJANTES num caderno, com caligrafia azul e em português.
Faleci seguidas vezes. Não é que meu professor comuna de Filosofia Política, o mesmo que zerou minha turma inteira semestre passado, tem um
blog? Guia de manutenção para a classe trabalhadora - que pelo menos na minha universidade, pública e portanto comunistona, anda sem desempenhar aquilo que eles mesmos dizem definir o homem.
Ou seja, ninguém trabalha.
Mas sério, será que ele lê o
Opinião Popular? Assim que as aulas voltarem, logo os grevistas conseguirem derrubar todas as
reformasneoliberaisdogoverno, indico.
Toda vez que Fortaleza nubla eu guardo a impressão de estar andando por outra cidade. Mas uma sensação incômoda o suficiente para chamar atenção.
Interrompi essa mania meio besta de ficar escrevendo publicamente - ninguém lê - um por conta do final de um semestre torto, findo em outubro, para um novo começar no mesmo outubro e eu, seguindo a tentativa que não vejo tão frutífera de estudar o que devo, de estudar por fora, de um curso e outro a mais, de uma discussão de bar com a língua enrolada da cerveja. O não vejo tão furtífera é por 5 anos não ter decidido ainda um centro, o meu guia, nem por esbanjar mobilidade em toda a tão famosa História do Pensamento sem me passar por bocó. É, sou esse tipo de cara que, na falta de melhores, guarda grandes esperanças nalgo já falido.
O segundo é a indisposição à comunicação. Não mandei e-mails nem cartas - pois é, pois é - nem expliquei a intenção primeira, representada pela foto do Joyce aí embaixo: vencido último estágio antes do Ulisses, e penúltimo antes do Finnegans Wake - que não faço questão de ler - O Retrato do Artista, ia demonstrar numa boa a minha afinidade espiritual com o Dedalus, o típico cara que não samba a alegria de viver. e mora numa torre, ou coisa assim. Isso porque eu estava um bocado excitado com o final da leitura e metido numas de teoria estética pra lá e pra cá. Não vingou. E, nessa altura do ano, distanciei-me suficiente da Irlanda e, principalmente, da época claustrofóbica que levei à época da leitura (mesmo que sempre espreite).
A greve que a universidade me deu em pleno novembro junto ao aniversário de uma idade um pouco emblemática para mim e, atenção atenção, a falta de gingua que nessa altura, com os ossos rangendo mais alto, fica difícil de aprender, me deram tempo para uma teimosia das consideradas menos indignas: escrever e deixar por aí o vocabulário pedante que acumulei até agora. Um adulto sem jeito. Vai que exercitando eu ache meu norte, como sempre falo - ou vai que mais: exercitando, eu me obrigue a um norte porque de uma etapa da vida em diante a gente precisa saber o que vai dar nesse mundo. O meu quinhão, boa parte do tempo, fica bem encaixadinho numa janela de blog.
É aquela coisa: só vou pra farra depois de comprar minha casa.
...só dois meses na conta? Ah, não foi uma separação tão dolorosa assim.
Hãn, esqueci de escrever sobre a morte, como me pediram. Falta saber o que me sobrou depois dessa.
Essa vida de blog que só me larga quando não dão conta de escrever-se as outras demandas - vou logo adiantando que, incapacidado numericamente, empurro a vida na base das letrinhas. Não que essa constante garanta alguma qualidade ou beleza, só me deixa um pouquinho espertalhão e abobado.
Já é a segunda vez que me chamam pro Tipos. A primeira, coisa de 2004, não desenvolvi bem, porque ficava numas de generalidades de um cotidiano pouco agitado. E a falta de norte, listado no mais alto grau dos meus problemas crônicos - a falta de norte é um troço angustiante.
Vencida a parte diarinho de coração pra coração, minha vontade é só (tentar) materializar, digitalmente que seja, um acumulado de frases e idéias em desenvolvimento, sem importar tanto no passar vergonha diante das 2 pessoas que resolverem dar uma lida, assim, como quem não quer nada, enrolando o trabalho. É uma tentativa consciente e bem planejada (ah, vá lá, nem tããããoo assim) de seguir com aquelas questões de bar que o racíocínio de bêbado não me deixa terminar - embolo a língua - ou de focar temas que possam me render mais tarde.
E o principal, os interlocutores. Tratei a vida toda blogs como um jeito prático, numa cidade tão grande, de contar algumas coisas bacanas e dar uma dimensão do que acontece comigo aos meus amigos, tanto os que moram aqui quanto os que foram longe. Não dá pra combinar bar todo dia, e nos encontros mais comuns tem muito barulho pra grandes comunicações. Não que funcione. Não que alguma vez tenha funcionado. Mas sou um cara que pensa muito no Bem Último.
Ah, tag clouds: filosofia, arte, cultura, tecnologia, comunicação, egotrip (claaaaro) e outras coisinhas gostosas.